O relato dos fatos vivenciados no Senado Federal expõe, na verdade, uma crise de ética muito mais ampla. Originada do grego ethos e significando modo de ser, caráter, trata-se de uma palavra que não aceita meio termo. Não existem pessoas, profissionais ou políticos "meio éticos". Ética é absoluta: somos ou não éticos e isso está na base sobre a qual se apóiam todas as nossas condutas na vida diária. Vamos a um exemplo prático — e lamentável — do que estou me referindo a respeito de ética. Saindo em defesa do senador José Sarney, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou a veia exposta com a seguinte declaração (feita a uma rádio de São Paulo — sem distorção da imprensa — está lá, gravado — transcrevo-a na íntegra):"É preciso saber o tamanho do crime. Uma coisa é você matar, outra coisa é você roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influência, outra coisa é o lobby. O que você não pode é vender tudo como se fosse um crime de pena de morte. Eu não posso entender que cada pessoa que tenha uma denúncia tenha que renunciar ao seu cargo."Essa declaração quer nos fazer crer que, usando a mesma analogia, roubar cinco centavos é diferente de usar de influência para roubar milhões. É dar a mensagem para toda a sociedade que existem "degrades" na ética, uma hierarquia do tipo "pior pior", "menos pior" ou "escorregadas aceitáveis". Vamos relembrar o conceito da palavra ética: modo de ser, caráter. Isso é uma coisa só, sem graduações.
Grande parte dos problemas de hoje tem sua origem nos exemplos dados pelas lideranças à juventude. "Vivemos em um mundo que transgride os padrões éticos e morais. Limites comportamentais, outrora bem definidos, têm se tornado indistintos. Nem mesmo as melhores faculdades de administração chegam a um consenso sobre um código de ética que seja universal. Na verdade, a maioria alega não existir verdade absoluta. Assim, não surpreende que virtudes como a verdade sejam levadas em tão pouca conta pelos líderes empresariais. Retiramos a moralidade de dentro das universidades e dissemos aos estudantes que já não existe moral absoluta. Em consequência, em vez de colocarmos os líderes desonestos nas prisões, os colocamos em pedestais, pois estão apenas fazendo o que foram treinados a fazer. Isto não nos livra de sustentar padrões éticos e morais elevados no mercado de trabalho. Na verdade, pessoas que aspiram postos de liderança deviam atribuir maior importância a tais valores", observa o consultor Deni Belotti.
(Ana Paula de Carvalho)
Fonte: Portal Bem Paraná
"Não corrigir nossas faltas é omesmo que cometer novos erros". (Confúcio)
